Igreja Matriz de Tentúgal [fase I]


Objecto da intervenção:
Estudo das policromias do altar-mor da Igreja Matriz de Tentúgal (séc. XVI), em pedra de Ançã policromada.

Descrição:
O altar-mor, em pedra de Ançã, datado de 1525, foi objecto de um estudo para caracterizar a sua técnicas de construção, os materiais empregues a nível de suporte e policromias, bem como para apurar as intervenções a que foi sendo submetido ao longo do tempo, de forma a orientar eventuais futuros tratamentos.
O suporte é constituído por pedra de Ançã e as juntas fechadas com argamassas tradicionais à base de cal.  A nível de construção, o altar foi montado “bloco sobre bloco”, de forma mais ou menos simétrica relativamente ao eixo central vertical.  Para assentar e nivelar estes blocos foram colocadas cunhas de madeira entre as juntas, algumas deixadas visíveis.  As figuras e cenas descritivas foram esculpidas em blocos únicos. Várias marcas sobre a pedra testemunham que os blocos foram trabalhados com verrumas, cinzel ou ponteiro.
A nível das policromias, sobre o original, foram detectadas quatro repolicromias isoladas entre si por camadas de preparação intermédias.  Os materiais empregues nestas intervenções, abrangendo vários séculos de vida do monumento, são muito variados.  Foram identificados os pigmentos branco de chumbo, carbonato de cálcio, terras várias, amarelo de chumbo e estanho, mínio, vermelhão, lacas orgânicas vermelhas, verdigris, lacas à base de cobre (verde), azurite, indigo, negro de carvão vegetal, folha de oiro e folha de prata.  O óleo foi identificado como aglutinante e a folha de oiro aplicada a mordente.

Conclusão:
O levantamento de qualquer uma destas repolicromias, embora não originais, é eticamente muito questionável e, na prática, de difícil execução devido à boa adesão entre estratos policromos.

Dono da obra
Direcção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais – Região Centro
 
Local
Tentúgal, Portugal